Ícone do site Diário do Transporte

MERCADO DE FINANCIAMENTO DE ÔNIBUS DE OLHO NO AQUECIMENTO DAS VENDAS

Ônibus da Marcopolo. Dentro das perspectivas de modernização dos transportes das cidades, há programas e financiamentos para obras e estrutura. Mas os frotistas ainda se queixam da necessidade de haver mais crédito para compra de ônibus. Como a estimativa é de renovação de frota, os financiamentos para o setor são essenciais. E neste cenário se destacam bancos ligados a encarroçadoras e montadores. Os transportes possui algumas características próprias, como legislações específicas, diferenças regionais que exigem equipamentos em ônibus que mudam de acordo com a área atendida e é mais suscetível a mudanças de políticas públicas e problemas cotidianos, como o trânsito que provoca mais desgaste nos veículos. Na Marcopolo, Banco Moneo, completa 6 anos com mais de R$ 1,5 bilhão. Só neste ano, volume deve ser superior ao de toda a história. Foto: Adamo Bazani

Banco específico para financiamento de ônibus pretende intensificar negócios
Moneo, banco da Marcopolo, já financiou 2600 contratos e movimentou um volume de negócios de R$ 1,5 bi em seis anos de atividades.

ADAMO BAZANI – CBN

O ano de 2011 promete ser o recordista na história da indústria de ônibus. Motivos para a meta de 32 mil unidades serem alcançadas ou até mesmo ultrapassadas não faltam. A crise financeira internacional que se instaura na Europa e com o endividamento público dos Estados Unidos deixa a economia brasileira em atenção, é verdade, mas no setor de ônibus o otimismo continua.
Antecipação da renovação da frota por parte dos empresários que querem evitar os custos maiores que os chassis terão a partir de 2012, quando serão mais tecnológicos e caros para obedecerem normas de redução de emissões de poluição no Proconve P 7, aproximação das eleições municipais, quando, mesmo com frotas particulares, há renovação de ônibus nas cidades para melhorar a imagem do ente público, licitações locais e a licitação de 1967 linhas de ônibus interestaduais e internacionais pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) agitam o mercado neste ano.
Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas de 2016, PAC – Programa de Aceleração da Mobilidade e a busca (mesmo que tardia) pela modernização de alguns sistemas são sinais concretos que o Brasil vai continuar vendendo bastante ônibus, salvo ocorra um agravamento da crise internacional ou um problema local e de setor.
Os programas governamentais, como o PAC, se concentram no financiamento dos projetos e obras.
Para compra de frota, os empresários ainda se queixam da necessidade de mais linhas de crédito, apesar de ser de destaque o papel do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
O setor se queixa também da ausência de bancos com profissionais que entendam da realidade do mercado de ônibus, que por ser exposto a uma série de fatores externos (trânsito que desgasta os veículos, instabilidades políticas, decisões eleitoreiras e não técnicas, entre outros) tem suas diferenças em relação a outros negócios.
Por conta disso, se destacam os bancos de financiamento específicos para os transportes coletivos.
Boa parte destes bancos é ligada a encarroçadoras e montadoras.
Um exemplo é o Banco Moneo, da Marcopolo, que produz carrocerias de ônibus.
Analisando as estimativas de mercado, o banco se prepara para intensificar suas operações.
Para isso, criou duas novas diretorias, Comercial e de Risco de Crédito, além de um Conselho de Administração.
Em comunicado à imprensa, Fábio Rosa, diretor comercial do Banco Moneo, disse que o diferencial da instituição é justamente ser direcionada ao mercado de ônibus e às necessidades dos operadores de transportes.
Além dos fatores externos diferentes de outros negócios, outras características são próprias do mercado de ônibus.
As operações são vinculadas a legislações específicas que influenciam no negócio, como exigência de idade máxima de frota, e as diferenças para prestar serviços entre uma região e outra, por questões políticas, de relevo, geográficas e climáticas.
Assim, em algumas regiões, o ar condicionado, por exemplo é essencial. Em outras, as suspensões devem ser mais elevadas por terem até mesmo estradas de terra.
Todas estas diferenças influenciam no preço e no financiamento dos ônibus.
Criado em 2005, o Banco Moneo já fechou 2600 contratos, movimentando volume de 1500 contratos. O Banco Moneo é uma agente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e possui vários representantes no País. A sede é na mesma cidade da encarroçadora, a Marcopolo.
Fábio Rosa, no entanto, revela no comunicado, que as pretensões da instituição financeira são bem maiores já para este ano.
“Nosso objetivo é continuar crescendo, aumentar a força de vendas e fechar o ano com mais de 3.000 contratos e um volume de negócios superior a R$ 2 bilhões”, finaliza Fábio Rosa.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Sair da versão mobile