Das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, 07 apresentam obras de transportes com atrasos. Os maiores ocorrem em locais onde foram escolhidos modais de mais cara e difícil implantação, como monotrilho e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Independentemente se são os modais mais adequados ou não, já que há polêmicas se os benefícios deles vão corresponder aos custos bem maiores, se algumas cidades escolheram estes modais, então que se mobilizassem antes. Cuiabá e Salvador na semana passada conseguiram autorização para trocarem do modal ônibus para VLT e obras que demoram em ritmo normal 05 anos para serem concluídas, terão de ser prontas em 02 anos. A troca e escolha de modais levanta discussões pois muitas são mais baseadas em interesses e busca de imagem política que em questões técnicas. O Brasil foi anunciado pela Fifa em 2007 como sede da Copa e terá de fazer em 02 anos o que não fez em 04 anos.
Cidades que vão sediar Mundial brincam com o tempo
Ministério dos Esportes apontou atraso em 07 das 12 cidades sedes em obras de mobilidade. Dos recursos liberados para ações de mobilidade, apenas 2,3% foram pagos aos responsáveis pelas obras
ADAMO BAZANI – CBN
Uma verdadeira brincadeira de mau gosto contra o tempo.
É isso que estados e municípios têm feito em relação às obras de mobilidade previstas para a preparação das cidades com o objetivo de receberem a Copa do Mundo de Futebol de 2014.
É claro que as pessoas precisam ter seu ir e vir garantidos, de maneira mais rápida, eficiente e menos estressante, independentemente de haver um jogo de futebol com seleções internacionais em suas cidades e que as obras devem objetivar o cidadão antes mesmo que um evento.
Mas também é inegável que para que as cidades recebam turistas e delegações precisam ter suas formas de garantir deslocamento modernizadas.
No entanto, nem quando os municípios só pensam em obras de transportes exclusivamente para o Mundial, o que é errado, eles tratam o assunto com responsabilidade.
E isso começa a aumentar ainda mais a preocupação do Governo Federal.
Levantamento realizado pelo Ministério dos Esportes sobre as obras de mobilidade para a Copa, revela que até o início de setembro, 07 das 12 cidades-sede do Mundial estão com as obras atrasadas.
O problema é mais grave onde os modais escolhidos são mais caros e de difícil implantação, como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e monotrilho.
A questão não reside apenas na escolha destes modais, apesar de quanto a isso ser possível levantar várias questões como se o benefício que trarão vale o custo que apresentam, a chamada relação custo/benefício.
O que mais intriga é que, se as cidades escolheram tais modais, sabendo que possuem implantação mais longa, por que não começaram a se mexer de fato?
Além disso, há a questão política por trás de muitas escolhas.
Alguns modais foram selecionados por serem diferentes, novos e conseqüentemente chamarem mais a atenção da opinião pública.
Na semana passada, Cuiabá e Salvador convenceram o Governo Federal e conseguiram trocar projetos de ônibus de trânsito rápido em corredores exclusivos, BRT, pelos Veículios Leves sobre Trilhos.
Os BRTs já tinham projetos prontos, seriam mais baratos e atenderiam demanda semelhante com mesmo tempo de deslocamento e já tinham as verbas liberadas.
Quanto aos VLTs, as obras nos dois estados devem começar somente no ano que vem.
O temor, do próprio Governo Federal que cedeu às pressões, é que tais governos locais não consigam terminar em dois anos uma obra que demora em média cinco anos.
Mas não são apenas obras de trilhos que estão atrasados. Há corredores de ônibus também fora do cronograma, mas segundo especialistas, no caso dos BRTs é mais fácil compensar os atrasos.
QUEM QUER DINHEIROOOOOOOOOOOOO?
O PAC – Programa de Aceleração de Crescimento -, voltado para mobilidade prevê a liberação de R$ 18 bilhões para obras de mobilidade das 24 maiores cidades do País (com mais de 700 mil habitantes), o que inclui as cidades-sede.
Além disso, há recursos municipais, estaduais, da iniciativa privada e outras formas de financiamento,
FALTA DE DINHEIRO NÃO É PROBLEMA, PROBLEMA TEM SIDO O FATO DE QUE O DINHEIRO NÃO É USADO, O QUE INDICA QUE OBRAS NÃO ESTÃO SENDO FEITAS.
Levantamento de 19 de agosto da CGU – Controladoria Geral da União mostra que apenas R$ 2 bilhões foram contratados para as obras. Isto é, dinheiro pego para começar as intervenções.
Mas apenas R$ 265 milhões, ou 2,3% dos recursos previstos para a mobilidade foram usados de fato até 19 de agosto.
Ou seja, as obras não estão sendo feitas.
Em entrevista à Rede Globo de Televisão, Marcos Túlio de Melo, presidente do Confea – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, acredita que nem todas as obras de transportes previstas ficarão prontas até 2014.
“É preocupante, e nós sabemos que, muito provavelmente, nem todos os empreendimentos de mobilidade estarão concluídos para a Copa de 2014” – disse à emissora.
E a reportagem continua usando o exemplo das trocas de modais que ocorreram em Cuiabá e em Salvador como algo que preocupa:
Para o Confea, Salvador é uma das cidades onde as obras correm risco de não ficarem prontas a tempo. O projeto inicial, que previa corredores expressos para ônibus ligando o aeroporto ao centro, foi alterado e incluiu um metrô de superfície. As obras só devem começar em 2012.
Em Cuiabá, a situação é semelhante. Em vez de corredores para ônibus, o governo estadual agora quer construir um VLT.
O que pouco dá para entender é que a dois anos do Mundial, que vai exigir obras, e diante da necessidade das cidades em proporcionarem não apenas para torcedores, mas para cidadãos um sistema de transporte público que tire carros das ruas, algumas cidades ainda estão discutindo qual o modal a ser escolhido.
Estamos em 2011. Vale lembrar que a Fifa escolheu o Brasil como sede do Mundial em 2007.
Ou seja, em 04 anos pouquíssima coisa foi feita.
Tudo terá de ser ajeitado em menos de dois anos.
Se vai dar tempo? A questão não é só essa. Mas com que qualidade e a que custo serão feitas as obras para dar tempo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.