O Supervisor de manutenção da Leblon de Mauá, Valdecir Antônio dos Santos, fumou por mais de 20 anos. Um dia, sentindo os efeitos do vício, decidiu dar o primeiro passo. Vontade de voltar ele teve, mas Valdecir mostrou quem é que mandava: ou ele ou a vontade de seu corpo. Hoje, se sente mais realizado e com saúde. Com o dinheiro que gastava com o vício, consegue realizar uma paixão: a música e hoje paga aulas de violão. Foto: Adamo Bazani
Leblon participa do Dia Nacional de Combate ao Fumo
Número de funcionários em geral do setor de transporte coletivo de dependentes do cigarro é grande. Empresa faz a diferença com orientações sobre os males do fumo e ginástica laboral ensina exercícios para a saúde dos pulmões
ADAMO BAZANI – CBN
Os profissionais do setor de transportes coletivos, principalmente motoristas e cobradores, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, são vítimas de estresse principalmente devido ao dia a dia das cidades: trânsito complicado, o contato constante com dezenas de pessoas irritadas, poluição, medo da violência entre outros fatores.
O estresse expõe estes profissionais a uma série de problemas de saúde e os deixa mais suscetíveis a problemas como depressão e vícios.
Preocupada no bem estar dos funcionários e também dos passageiros, já que se o funcionário estiver bem, o usuário será atendido adequadamente, o Grupo Leblon Transporte de Passageiros Ltda desenvolve uma série de ações em prol da saúde e da harmonia do corpo, alma e mente dos colaboradores.
A empresa aproveita também datas especiais para fazer campanhas de conscientização para a qualidade de vida dos funcionários.
Nesta segunda-feira, dia 29 de agosto de 2011, Dia Nacional de Combate ao Fumo, a Leblon em sua garagem, em Mauá, na Grande São Paulo, desenvolveu um trabalho especial para conscientizar os funcionários sobre os malefícios do cigarro, tanto em quem fuma e também em quem fica perto de quem sofre do vício, o chamado fumante passivo.
Não há uma estimativa oficial, mas o número de profissionais de transporte coletivo que fumam é considerado grande.
A Leblon não discrimina a contratação dos funcionários por este fator, mas sempre que o funcionário se mostrar disposto a largar o vício, seja pelo serviço de capelania ou por outras orientações profissionais, auxilia a decisão individual do funcionário.
Além disso, neste Dia de Combate ao Fumo, além de o tema ter sido abordado de maneira clara e não discriminatória, durante a ginástica laboral, realizada constantemente na garagem das empresa, foram ensinados exercícios respiratórios para fumantes e não fumantes, afim do fortalecimento dos pulmões.
EXEMPLO DE QUEM CONSEGUIU SUPERAR O VÍCIO:
Vencer o vício do cigarro não é uma tarefa fácil para muita gente. Mas não é impossível. E há vários exemplo que comprovam que você também pode largar este hábito que faz tão mal à sua saúde e à das pessoas que estão perto.
O supervisor de manutenção do Grupo Leblon Transporte de Passageiros Ltda, unidade Mauá, Valdecir Antônio dos Santos, é prova que força de vontade e pensar na saúde e na vida em primeiro lugar fazem com que o cigarro possa ser abandonado.
Ele não fuma mais há cerca de dois meses, mas era dependente há mais de 20 anos.
“Comecei com 21 anos de idade. Era moda na época. Foi frequentando bailes que tive os primeiros contatos com os cigarros” – conta Valdecir.
Ele relata que ultimamente começou a sentir mais fortemente os efeitos do fumo.
“Não conseguia dormir direito. Era uma sensação de falta de ar, como se eu estivesse suficado. Uma noite entreguei a carteira de cigarro a um motorista e disse chega” – relata.
Valdecir explica que pelo menos por 4 vezes teve fortes vontades de cigarro após ter deixado de fumar, mas dá a dica.
“Nesta hora é que devemos mostrar quem manda. Se nós ou nosso corpo. Nós é que mandamos no nosso corpo”.
O ambiente de trabalho da Leblon também ajudou-o na decisão.
Bem para a saúde e bem para o bolso.
Valdecir gastava cerca de R$ 150 por mês só com cigarro. Hoje, em vez de fumar, ele se dedica a uma paixão: a música. Faz muito bem à saúde, à mente e ao coração e ainda por um preço bem mais em conta. As aulas de violão custam R$ 80,00 por mês.
“É possível sim largar o vício. Hoje me sinto bem melhor, mais disposto, feliz, me sinto livre e recomendo a todos” – garante.
DADOS IMPRESSIONANTES:
Grupo Leblon Transporte de Passageiros afirma ter como meta a valorização do ser humano pelo fato deste ser o principal motivo da existência do setor de transportes. Assim, pensar no bem estar do funcionário, é zelar por famílias que dependem dele e também se preocupar no passageiro, já que um colaborador saudável, satisfeito e realizado atenderá adequadamente ao cliente da empresa. Neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, funcionários receberam orientações sobre os malefícios do tabagismo e ginástica laboral ensinou exercícios. Foto: Adamo Bazani
Os dados da Organização Mundial da Saúde sobre os malefícios do cigarro à humanidade impressionam mais do que de muitas guerras.
De acordo com o órgão, o tabagismo é a principal causa de morte evitável do mundo. Até junho de 2011, um teço da população mundial adulta, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas fumam, sendo que 47% dos homens de todo o mundo são fumantes e 12% de todas as mulheres do mundo fumam.
POR ANO, 4,9 MILHÕES DE PESSOAS MORREM EM DECORRÊNCIA DO FUMO, O QUE SIGNIFICA 10 MIL MORTES POR DIA. E se a tendência de fumantes continuar dessa maneira, somada ao aumento da população, a quantidade de mortes pelo tabagismo, pode chegar a 10 MILHÕES DE PESSOAS POR ANO, a maior parte, com idade produtiva, entre 35 e 69 anos.
Para se ter uma idéia, entre os anos de 1939 e 1945, a Segunda Guerra Mundial foi responsável pela morte de mais de 50 milhões de pessoas diretamente.
Proporcionalmente, o cigarro mata como se um conflito de magnitude semelhante ainda estivesse ocorrendo.
Já o tabagismo passivo, que é quando a pessoa inala a fumaça do cigarro de outra próxima, é responsável pela terceira causa de morte evitável, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Para se ter uma idéia, a fumaça do cigarro se junta aos poluentes do ar (de automóveis e indústrias, por exemplo) e chega aos pulmões do fumante passivo com três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas em comparação a fumaça de que passa pelo filtro do cigarro e entra pela boca do fumante ativo.
Os fumantes passivos correm 30% mais o risco de contraírem câncer de pulmão e 24% mais de terem um infarto que uma pessoa que não fuma e não é exposta a fumaça de cigarro.
Por isso, quem fuma deve se afastar dos não fumantes na hora de consumir o cigarro por uma questão de educação e de amor a vida do semelhante.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.