Empresa modelo prova o quanto é possível fazer de um veículo poluente, um veículo não poluente.

Quando se há disposição e vontade, é possível haver grandes transformações positivas

POR MARCOS GALESI

Striulli

Antes, apenas um ônibus comum, mais tarde convertido para Trolebus.

Em 1969, a CMTC converteu um ônibus diesel Magirus-Deutz com carroceria Striuli, numa iniciativa que serviu de exemplo para que fosse seguido até os dias de hoje. Com chassis FNM e equipamentos elétricos Villares, este ônibus diesel se tornou de um veículo poluente num transporte limpo. Chamo a atenção dos leitores, que na década de 70 havia um grande problema com relação à crise do petróleo e que já nesta época havia uma preocupação com relação à troca da matriz energética, já que o petróleo é finito.

Trolebiu que era ônibus

Ex ônibus diesel convertido à trólebus.

Então, está mais do que provado que quando se há vontade e determinação, tudo é possível, fica aí o grande exemplo que muitas empresas podem seguir, pois sabemos que um dia o petróleo vai acabar, pois a demanda é maior do que a oferta, talvez você, caro leitor até questione que existem outras alternativas que são consideráveis, mas a verdade é que a eletricidade é o combustível do futuro. De acordo com a Eletropaulo, nosso potencial elétrico é muito grande, e que há muito a ser descoberto ainda pela frente. A eletricidade é renovável, é uma energia limpa, e já existem pesquisas sobre energia elétrica regenerativa, na qual o excedente poderá retornar à rede elétrica, ou seja, a energia que hoje pode ser desperdiçada, a tendência é que num futuro próximo poderá ser reaproveitada.O grande exemplo está aí até o trólebus mostra que é um veículo reciclável, inclusive este veiculo, poderemos ver rodando por muito e muito tempo. Quando se há vontade política, quando se há disposição da operadora, enfim todas as partes responsáveis, temos um transporte limpo, mais econômico, mais barato e isso acaba até refletindo nos preços da tarifa. Portanto, nós como cidadãos temos que cobrar o poder público para que possamos ter o transporte que seja à altura que o cidadão merece, um transporte limpo e economicamente viável.
HOMENAGEM:
Esta matéria quero dedicar ao professor Waldemar Correa Stiel “in memorian”

Marcos Galesi é vice-presidente do Movimento Respira São Paulo, integra o Movimento Defesa do Trólebus e é especializado em trasportes com tecnologia limpa

20 comentários em Empresa modelo prova o quanto é possível fazer de um veículo poluente, um veículo não poluente.

  1. A CMTC começou a transformar onibus Disel em Trolebus, em 1962, aproveitando os Chassis dos onibus Disel GM ODC-210 e juntando neles as partes “eletricas” dos Westran cujos componentes mecânicos apresentavam problemas.
    Foi assim com o 3010 e 3019 e não parou mais, aproveitando os chassis ODC fizeram mais de 50 trolebus, com motores eletricos GE, Siemens e Villares. Daí pra frente comeram a comprar novos chassis FNM e motorização Villares e montaram uma verdadeira industria de trolebus NOVOS.

  2. Amigo Jair

    Agradeço pela sua contribuição à história do trolebus, infelizmente não tive uma fonte que pudesse contar com estas informações extras trazidas pelo senhor. Inclusive até para acrescentar, o Engenheiro Cláudio Jacoponi, participou da transformação destes veículos de DIESEL para TROLEBUS.
    É uma pena que depois que a CMTC se transformou em SPTrans, parece que o entusiasmo da antiga CMTC acabou morrendo junto com a própria CMTC. Bem verdade, o tempo não pára, mas há certos conceitos que deveriam ser mantidos inclusive em nome da SUSTENTABILIDADE.
    E está provado que o TRÓLEBUS além de ser um veículo limpo, é também um veículo RECICLÁVEL.

    Um forte abraço.
    Marcos Galesi

  3. Boa tarde à todos, novamente e a vc. tb. Galesi !!!
    Permita-me, humildemente, divergir em parte de ti, dizendo que, sob a minha opnião, precisamos SOMAR o que todos possuem de melhor.
    Trens, metrô, ônibus convencionais e trólebus, todos tem a sua importância e precisam ser otimizados.
    É a minha, humilde opnião.
    Abçs.

    • Amigo Gustavo

      Agradeço pela sua contribuição , e concordo plenamente contigo, sou a favor da tecnologia na qual se inova, sem se esquecer de otimizar o que já existe.
      Todos os modais sem excessão são importantes. mas no tocante assunto petróleo é necessário que se encontrem alternativas com fontes de energias renováveis pois a realidade é que o petróleo vai acabar, e até o presente momento, a energia elétrica é a alternativa mais palpável possivel a tal ponto que grandes montadoras de veículos de passeio estão investindo em pesquizas baseado em carros elétricos.

      Um forte abraço.
      Marcos Galesi

      • Gustavo Cunha // 15 de junho de 2011 às 20:17 //

        Boa tarde pro cê !

        Sou de Jundiaí, então, permito-me ser um pouco caipira, para suavizar este nosso mundo.

        Esqueci de elogiar a extinta CMTC, pois este relato aqui posto por ti, assim como muitos outros, demonstram a qualidade, a criatividade, o esforço, o pioneirismo e inovação que existiu nela, pelo menos em alguns momentos, mas tais pontos positivos não foram suficientes para mantê-la viva.

        Existindo e bem administrada, ela poderia servir de ponto de equilíbrio do sistema paulistano de ônibus, absorvendo as linhas deficitárias e tentando, porque não, torná-las lucrativas, e, mesmo que não conseguisse, pelo menos operasse com eficiência e qualidade.

        Quanto ao uso da energia elétrica nos transportes por ônibus, ressalvo que, nas cidades interioranas, não vejo muita viabilidade, no seu uso, mas o seu emprego nas cidades de médio e grande porte brasileiras, conjugado a outros modais, seria de grande valia.

        Como de costume, são minhas, humildes opiniões, e, debater é preciso, para tentarmos obter o melhor possível, para todos.

        ABRAÇO PRO CÊ. e para todos.

      • marcos galesi // 16 de junho de 2011 às 02:41 //

        Amigo Gustavo Cunha

        Boa tarde pro cê, amigão.

        Conheço a linda cidade de Jundiaí, na qual sempre que tenho tempo procuro passear por aí, inclusive adoro o espaço do museu da Sorocabana aonde fica a Fatec.
        Com relação a COMPANHIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES COLETIVOS, ou seja a CMTC, era uma empresa na qual os funcionários trabalhavam com o coração, entusiasmo, criatividade e paixão, motivo que a tornou uma empresa modelo.
        Depois que a CMTC saiu de cena e entrou a SPTrans, parece que, aquele entusiasmo, aquela criatividade e paixão e principalmente coração, desapareceram.
        Eu gostaria muito que a SPTrans, tivesse as qualidades da CMTC, mas me lembro de uma frase que o amigo Paulo Gil falou num de seus comentários que tudo passa, até de forma automática.
        Eu faço votos de que um dia, tenha um Prefeito que vista a camisa CIDADE DE SÃO PAULO e traga de volta a GLORIOSA CMTC, que tanto nos orgulhou.
        As suas humildes opiniões, são válidas, pudera se tivessemos um debate a nível nacional, pois assim poderiamos chegar a um denominador comum e um consenso, até mesmo na divergência.

        Um grande abraço
        Marcos Galesi

  4. Amigos, boa noite

    Ônibus eleétricos, sem catenárias é uma ótima opção.

    Porém reciclar um FNM ou um GM ODC-210 é uma coisa, mas hoje
    vivemos no momento do “troca a placa” e os produtos de hoje
    não tem a mesma durabilidade dos antigos; assim tenho dúvidas
    quanto a relação custo benefício.

    Planilhas de custo que provem o contrário, serão bem vindas
    ( mas custo reias subsídeos).

    Muito obrigado

    Paulo Gil

    • Errata:

      Onde esta escrito: ( mas custo reias subsídeos).

      Leia-se: ( mas custos reais SEM subsídeos).

    • Amigo Paulo Gil, Saudações e obrigado pela sua participação.

      Em questão custo-beneficio, você converter um ônibus diesel em ônibus elétrico é bem interessante, até porque sabemos que os ônibus o financiamento é pago em 10 anos. Então imaginemos o seguinte, um articulado a vida útil dele pode chegar a 20 anos, com uma boa manutenção, então, como na Cidade de São Paulo, os ônibus são baixados a cada 10 anos, e não sei ao certo como é na EMTU, então vejamos: 10 anos, financiamento e ao fim, o veículo está quitado, com a tecnologia do Trolebus em corrente alternada, a vida útil deste veículo pode ser extendida em mais 10 anos, mantendo-se uma boa manutenção. Geralmente o motor elétrico em corrente alternada pelo motivo de ser fabricado em série, e no caso da Weg que dá 20 anos de garantia, então o custo pode se tornar interessante. Além da vantagem do motor de corrente alternada, a questão dos eixos, nos trolebus de Corrente Contínua a redução tem que ser 12 X 1, enquanto a do trolebus em Corrente Alternada pode ser de até 7 X 1 de redução. O Respira São Paulo defende que o trolebus seja implantado em CORREDORES EXCLUSIVOS de ONIBUS, pela questão de qualificação urbanistica e também na questão de valorização da avenida e seus arredores. Hoje o corredor de ônibus é rejeitado pela população por conta de que “NENHUM COMERCIANTE” quer que na porta do seu comércio tenha uma fila de ônibus poluindo e também a fuligem que sai do escapamento suje o seu comércio. Inclusive os comerciantes da Rua Augusta, estão se reunindo para que os trolebus voltem para lá, pois, quando tiraram os trolebus de lá, o comércio deu uma queda de vendas em seus comércios.

      Um forte abraço
      Marcos Galesi

      • Marcos Galesi // 15 de junho de 2011 às 03:34 //

        “obs.” A redução 7 X 1 é de um eixo de série da MERITOR utilizado inclusive nos ÕNIBUS Volkswagen. Estuda-se ainda que se utilize um eixo com relação 5 X 1.

        Ah, sim, uma frota de 2000 trolebus nos principais corredores de ônibus, seria uma grande contribuição para a cidade de São Paulo, além de contribuir até com a redução do preço do material rodante e que pode até influenciar no preço da passagem, barateando os custos, sem contar que o meio ambiente agradece, pois são milhares de toneladas que seriam retirados da nossa cidade.

      • Marcos Galesi // 15 de junho de 2011 às 03:37 //

        Errata:
        …..pois são milhares de toneladas que seriam retirados da nossa cidade.
        Retificando: pois são milhares de toneladas de poluentes que seriam retirados da atmosfera da nossa cidade de Sao Paulo.

  5. Quando querem, a coisa rola…

    Parabéns pela matéria Marcos!

  6. Marcos, falando em História da CMTC, tenho comigo copia da frota em uso, por quantidade de veículos, desde 1947 até 1975, ano a ano, dividida por marca e tipo de veículos, Disel, Trolebus e Bondes, obtido junto a diretoria de Patrimonio da CMTC naquela epoca. Posso transcreve-la aquí, ou em outro local caso seja de interesse histórico.

    • Amigo Jair

      Todas as informações são importantissimas se puder envia para o e mail marcos.galesi2@gmail.com, que com prazer repassarei para o Adamo. Mas a história do transporte, temos que levar adiante para que as novas gerações possam saber que na Cidade de São Paulo um dia existiu uma empresa modelo.

      Abraços
      Marcos Galesi

  7. Galesi
    Ótima e importante matéria!
    Os conceitos parecem bem sedimentados nas opiniões acima, no sentido de modificar os diesels. Sigo sentindo falta de considerar alimentação por indução, certamente, onde for justificável. Apenas a disponibilidade, técnica, produtiva e de distribuição da AES Eletropaulo me parece superestimada, mas torço sinceramente para estar errado.

    O momento do Rio parace bem melhorque o da RMSP, com os projetos de BRT para as Olimpíadas; em compensação a realidade de considerar TODA a RMSP e não mais suas partes parece estar finalmente consolidada.

    Pensando grande e livremente: precisaria acontecer – parece mais fácil no Rio – uma exposição ampla do BRT. Um “Salão do BRT” com expositores ligados a todos os produtos e serviços inerentes, bem como possibilidades e protótipos. Quem sabe e este Blog possa se unir a outras entidades do ramo e conseguir algo assim? Fica a forte sugestão.

  8. Amigo Luiz Vilela

    Fica válida sua sugestão, concordo plenamente com suas observações, haja visto que até 2016 haverão muitas obras de infra-estrutura principalmente na area de transportes. Seria muito interessante se houvessem vários sistemas de trolebus no Rio de Janeiro.

    Creio que quando se há seriedade e vontade politica tudo acontece, agora aqui na nossa CIDADE DE SÃO PAULO foram 1000 promessas na area de Transportes, porém zero de realização.

    Abs

  9. Vilela e Galesi, bom dia

    O RJ é a vitrine do país e com toda propriedade, mas o foco
    são os turistas e não os trabalhadores.

    Endoço as sugestões e os comentários de vocês.

    De acordo.

    Grato

    Paulo Gil

  10. Amigo Paulo Gil

    Concordo com suas observações, sobre o foco principal do transporte para o RJ. O que eu não me conformo é o potencial que a CIDADE DE SÃO PAULO na area turistica, e que não é explorada na sua totalidade. Lamentável. FALTA PARA OS PREFEITOS QUE ASSUMEM A CIDADE DE SÃO PAULO, 3 COISAS: AMOR, PAIXÃO E O VERDADEIRO SENTIDO DE SER PAULISTANO. Nós paulistanos temos orgulho por São Paulo ser uma das maiores cidades do mundo, infelizmente quando um prefeito assume a CIDADE DE SÃO PAULO parece que o poder sobe à cabeça.

    • Assino em baixo, Galesi!

      Paulo Gil, vale lembrar que o Rio também é uma RM imensa, com enormes demandas de transporte público para moradores e trabalhadores. Sou paulistano e amo Sampa, mas concordo com você qaue o Rio é vitrine quase insuperável a nível mundial e tem batido um bolão em eventos. Padece, como SP com políticos predadores que não dão a mínima para o RJ, mas, diferente de SP, está num momento bem diferente e auspicioso, com Sérgio Cabral e Eduardo Paes.

      Galesi,
      Sem ingenuidades mais óbvias, quem dera Governador e prefeito de Sampa com a competência de Cabral e Paes… Enfim: Sampa é mais forte e preparada para eventos e Rio é melhor vitrine. Ambas as cidades seriam execelentes candidatas a uma Exposição do BRT!

      Fico feliz que compartilham da minha idéia. E estupefato com a incompetência e petulância da AES Eletropaulo, que inclusive atinge em cheio nossos trólebus – e a falta deles.

      • Marcos Galesi // 19 de junho de 2011 às 05:21 //

        Amigo Luiz Vilela

        saudações

        O grande problema não é da Eletropaulo, explico: A Eletropaulo está devendo uma nota preta para o BNDES. Na verdade, os americanos da AES ELETROPAULO, só vieram para lucrar com os brasileiros, um grande exemplo é que até a própria rede de DISTRIBUIÇÃO está sucateada, motivo pelo qual sempre após as fortes chuvas. A manutenção demora horas e horas. O BNDES, deveria retomar para o ESTADO a ELETROPAULO e não o fez em 2007, e tenho certeza que o BNDES está pouco ligando para isso. A fundação PROCON pediu INTERVENÇÃO à Eletropaulo, em tese isso foi feito, em prática não conseguiram, por motivos desconhecidos.

        As ocorrencias do trolebus é por conta do desleixo da Eletropaulo, só .

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