DIA 08 SENADO VOTA FRACIONAMENTO DE DESCANSO DE MOTORISTAS E COBRADORES DE ÔNIBUS

ônibus

Ônibus parado em ponto final na cidade de Santo André – SP. Senado pretende fracionar tempo de intervalo para motoristas e cobradores de linhas de ônibus urbanas e metropolitanas. Por causa do trânsito, os ônibus não ganham prioridade no espaço urbano, dos problemas das cidades e mecânicos, fica difícil o motorista e o cobrador chegarem no horário certo para descanso. Ou ele cumpre sua hora prevista por lei e atrasa a partida, o que prejudica trabalhadores, passageiros e empresas que precisam ter jogo de cintura mudando as tabelas, ou não consegue ficar descansando o tempo previsto por lei. O fracionamento visa flexibilizar as paradas dos funcionários e os horários dos ônibus tentando reduzir os atrasos. Foto: Adamo Bazani.

Senado deve aprovar intervalo de alimentação fracionado para motoristas e cobradores de ônibus
Objetivo é estender para a categoria em todo o País a possibilidade parar para descanso mais de uma vez por jornada e não prejudicar os intervalos dos ônibus, principalmente nos horários de pico

ADAMO BAZANI – CBN

Atualmente, os horários de pico estão cada vez mais movimentados. O trânsito é maior, conseqüentemente os congestionamentos e a demanda por transporte público nestes horários cresce muito.
Os horários para os motoristas e cobradores de ônibus, apesar de serem fixados em tabelas e até serem fruto de acordo entre sindicatos e empresas, não conseguem cumprimento total. Isso porque é uma atividade de rua sujeita a problemas externos como congestionamentos, atrasos, acidentes, etc.
Hoje, na maior parte do País, os funcionários de transportes públicos têm uma hora de alimentação e descanso contínua que várias vezes não começa no horário previsto.
Isso prejudica o trabalhador do setor, que não consegue cultivar um hábito alimentar e de descanso, o passageiro, que fica sujeito a atrasos pela obrigatoriedade do cumprimento dessa hora, mesmo em atrasos (invadindo inclusive o horário de pico) e as empresas que constantemente têm de alterar as tabelas (mais de uma vezes por dia, inclusive) e operam com atrasos ou acúmulos de ônibus em um horário e poucos veículos em outro, tentando equilibrar a razão entre horários de partidas, tempo de descanso e alimentação dos motoristas e os atrasos provocados pelo trânsito todo o dia, já que os ônibus ficam presos nos congestionamentos e mesmo levando mais gente em menos espaço e poluindo menos por passageiro não recebem vias prioritárias suficientes que minimizaram vários problemas e custos de operação.
Uma das alternativas para esta questão é o fracionamento do tempo de descanso e alimentação para motoristas e cobradores de ônibus que prestam serviços em linhas de características urbanas, de trajetos curtos, em sua maioria, claro.
E nesta quarta-feira, 08 de junho de 2011, o Senado pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais) vai analisar o fracionamento desta hora de descanso para evitar atrasos nos ônibus, melhorar o planejamento das empresas e a qualidade de vida dos trabalhadores. Pelo fato de os ônibus terem de ser mais ofertados nos horários de pico, das 06h00 às 09h00 e das 17h00 às 20h00, os motoristas e cobradores são obrigados a almoçarem e jantarem em horários ruins, como por volta das 10 h da manhã ou depois das 10 h das noite.
O fracionamento da hora de descanso e alimentação para a categoria tem de ser aprovado pelas convenções coletivas de trabalho e pode ser incluído na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho.
A CLT prevê que jornadas acima de 6 horas têm de oferecer uma hora de descanso e as abaixo disso, no mínimo, de 15 minutos não ultrapassando 4 horas.
O projeto que prevê o fracionamento é do senador Clésio Soares de Andrade, do PR de Minas Gerais, que representa as empresas de ônibus pela CNT – Confederação Nacional do Transporte.
O Projeto PLS 43/2011, um novo dispositivo será acrescentado ao artigo 71 da CLT que fala justamente sobre o tempo mínimo de uma hora de descanso ma jornada de trabalho acima de 6 horas, que prevê que o intervalo fracionado pode ser começar a ser feito depois da primeira hora de trabalho e antes da última hora.
Os intervalos serão menores e fracionados sendo concedidos no final das viagens, mas devem somar uma hora.
Clésio Andrade diz que este “engessamento” da hora de descanso tem na prática inviabilizado o cumprimento da lei, já que chegando atrasados nos pontos, os motoristas e cobradores dificilmente ficam parados o tempo que têm direito.
O relator da matéria, senador Armando Monteiro (PTB – PE) já apresentou voto favorável ao fracionamento justamente pelo fato de os horários de motoristas e cobradores de ônibus dificilmente serem cumpridos a risca por causa dos problemas das cidades.
A proposta terá caráter de decisão terminativa, ou seja, a comissão vota sem necessidade de ir a plenário. Sendo aprovada, a PLS 43/2011 segue para a Câmara.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

6 comentários em DIA 08 SENADO VOTA FRACIONAMENTO DE DESCANSO DE MOTORISTAS E COBRADORES DE ÔNIBUS

  1. Boa tarde à todos !

    É importante pensar não apenas na remuneração, como também, em melhores condições de trabalho para os operadores do transporte, afinal, a responsabilidade deles não é pequena.

    Boa iniciativa.

    Abraços.

  2. Creio que alguns de nós ja observou em algum momento motoristas e cobradores em horário de “almoço” ou “janta”, chega ser desumano ver profissionais que são responsáveis por milhares de vida ter que comer comida em marmitas e muitas vezes fria, quando não estão expostos á comidas de bares e restaurantes, o famosos pfs (pratos feitos) que não se sabe como foi o preparo, isso quando dá para comer algo, pois a pressão do “fiscal” é grande para que o horário seja cumprido. É fato que muitos motoristas e cobradores sofrem de doenças realacionadas á má alimentação ou mesmo alimentação inadequada para o seu dia a dia, quem já não ouviu falar da famosa “barriga de motorista”. Outro dia lendo num log sobre uma linha de ônibus da cidade de São Paulo que por sinal é muito longa, liga a zona sul á zona oeste, tem um percurso de aproximadamente 3hs para ir 3hs para voltar, no log dizia que a empresa mantinha uma casa alugada no ponto final da linha para que seus motoristas pudessem descansar nos intervalos entre uma partida e outra, nessa casa tinha ou tem um certo conforto como poltronas, sofás, cozinha com água e café e local adequado para aquecimento de refeicões e mesas com cadeiras. enfim estou usando esse exemplo para mostrar algo que nunca tinha visto ou ouvido falar. A votação desse projeto é bem vinda, mas faz necessário ainda enfrentar alguns desafios, por exemplo o complicado transito de uma cidade como São Paulo e também a mentalidade d algumas empresas , pois a qualidade de vida dos funcionários representa a saude financeira da empresa, pois motorista comer sentado no volante ou na escada já não pode mais existir. Forte abraço

    • Boa tarde à todos e vc. Roberto tb !

      Rapidamente. Belo exemplo o elencado por ti, mas, nem sempre é possível tamanha organização. Entretanto, soluções precisam ser encontradas e IMPLEMENTADAS, para melhorar as condições de trabalho dos rodoviários, pois eles não vivem apenas da remuneração.

      Parabéns pela sugestão !

      • Roberto SP // 8 de junho de 2011 às 18:40 //

        Gustavo obrigado, com certeza você assim como eu e muitos busólogos gostariamos de ver nossas sugestões e observações comtempladas e implementadas, entendo que o Brasil é muitop grande para se pensar de forma igual para todas as regiões, mas algumas experiências podem ser aproveitadas, também fico um tanto preocupado quando vem algo de cima para baixo, sugiro a esses parlamentares que também ouçam esses trabalhadores, pois com certeza eles vão apontar caminhos para a melhora da qualidade de vida e do trabalho que realizam no dia a dia, dirigir um veiculo pesado por horas a fio não é nada fácil, mas felizmente há pessoas que gostam da profissão, assim como nós gostamos de admirar ônibus e com certeza na medida do possível possamos ajudar, não medirei esforços. Já existem empresários comprometidos com a qualidade de vida de seus empregados, porém ainda há aqueles que escravisam seus empregados, como já disse vamos aguardar e espero que nossa discussão se amplie aqui no blog. Forte abraço

  3. não concordo com duas pegadas na jornada de trabalho prefiro trabalhar todas minhas horas de uma vez afinal trabalho desde os 12 anos de idade antes podia trabalhar e tinha menos vagabundos a marginais nas ruas. a parada da sim pra fazer um lanche rapido melhor fazer um lanche rapido nos poucos intervalos que temos doque ir e depois voltar vc nao fica nem na empresa e nem em casa, esse deputado ai que vai caçar algo pra fazer como se ele quer ajudar motorista e cobrador ele que faça um projeto para nos repor ao menos as perdas salariais ao longo do anos trabalho em araraquara em uma empresa de onibus odeio fazer dois pegas eu e a maioria odiamos mesmo, olha aqui sr. deputado de merda fazer um horario para ou outros cumprir é facil pq vcs fica no ar condicionado nao faz nada, nos ralamos trabalhamos mesmo damos o nosso sangue então oque o sr. acha de ser inteligente deixa os trabalhadores decidir com as empresas oque nos acharmos melhor pra nos pq vc politicos se faz algo bom de um lado estraga o outro então vai meu recado procura acertar mais nao precisar estudar nem ser inteligente para resolver uma questão como essa, nos assina um acordo coletivo e fica valendo sem a empresa que paga nosso salario que vcs tira nos impostos sofrer multa ass. motorista Drago

  4. Aqui em Porto Alegre acontece muito disso tb… horários “apertados” nas tabelas dos carros/motoristas. Muitos usuários não se dão conta, mas isso é um dos fatores que fazem os ônibus ficarem mais atrasados e lotados.
    Por exemplo: numa linha que opere nos sentidos Bairro-Centro e Centro-Bairro, o motorista do carro nº X, da linha Y, tem, pela sua tabela, um horário certo para chegar ao terminal do Bairro ao terminar sua volta. E cinco minutos depois, o mesmo veículo com o mesmo motorista já tem de sair de novo do terminal para cumprir mais uma viagem da linha. É comum haver atrasos de, por exemplo, 12 minutos na chegada da volta anterior, e aí o “motora” já vai ter de iniciar a volta seguinte com 7 minutos de atraso, começando a causar transtornos para usuários. Cinco minutos de intervalo é muito pouco, para uma cidade com trânsito bem intenso e ainda mais agora com várias obras viárias por causa da “Copa”! Mas isso também decorre da falta de profissionais no mercado, além do que iria sair mais caro para as empresas manter um motorista e um cobrador de reserva em cada linha.

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