ABC JÁ TEM MAIS ÔNIBUS NAS RUAS, MAS RUMOS DA GREVE SERÃO DISCUTIDOS EM ASSEMBLÉIA

Greve de ônibus no ABC Paulista

Ônibus de Mauá amanheceram nas garagens. Tanto Leblon como Viação Cidade de Mauá não iniciaram as operações. Demais empresas da regiçao do ABC colocaram ônibus nas ruas, mas percentual não chega a 80% definidos pela desembargadora Sônia Franzini. Foto: Adamo Bazani

Ônibus do ABC Paulista devem voltar hoje ao trabalho
Decisão será tomada em assembléia às 9 horas da manhã após Justiça determinar reajuste de 7,8%

ADAMO BAZANI – CBN

Os motoristas e cobradores de ônibus podem dar um final à greve da categoria que ocorre desde quarta-feira.
A reportagem do Blog Ponto de Ônibus percorreu quatro garagens na madrugada desta sexta-feira. Da Viação Guaianazes, em Santo André, da Viação São Camilo, em Santo André, da Viação Cidade de Mauá, em Mauá, e da Leblon Transporte, também em Mauá.
Na Guaianazes a movimentação era tranquila e havia vários ônibus ainda dentro do pátio por volta das 4h40 da manhã.
Na São Camilo, alguns trabalhadores estavam na portaria, e boa parte dos veículos não estava operando.
Já nas empresas Leblon Transporte de Passageiros e Viação Cidade de Mauá, a paralisação ainda é total.
A Justiça determinou ontem, quinta-feira, que independentemente de ser horário de pico ou não, a frota em operação deve ser de 80%. Em caso de descumprimento, o Sintetra, que é o sindicato que representa os motoristas, cobradores, rodoviários e anexos no transporte, deve ser multado em R$ 200 mil por dia de não cumprimento deste percentual.
Este número de frota determinado pela Justiça não está sendo cumprido, nesta sexta-feira.
Na quinta, a determinação era de 80% em horário de pico e 60% fora desta faixa de horário. Hoje, ade acordo com despacho da desembargadora Sônia Franzine, os ônibus deveriam operar com 80% da capacidade de frota das empresas, independentemente do horário.
Não é o que está ocorrendo.
A frota em algumas cidades, com Santo André e São Caetano do Sul está maior que ontem, mas não alcança os 80%.
A Viação Vaz, por exemplo, que opera linhas municipais de Santo André, colocou 32 ônibus em serviços.
A Metra – Sistema Metropolitano de Transportes Ltda – informou há pouco que o número de ônibus e trólebus é maior que ontem no Corredor ABD, que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara, na zona Sul da Capital Paulista, poe Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema.
A única cidade que está 100% parada é Mauá.
A expectativa é que a greve possa ter um fim depois da assembleia que será realizada às 09 horas da manhã de hoje, sexta-feira, dia 03 de junho, na sede do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus, na Vila Assunção, em Santo André.
Ontem a desembargadora Sônia Franzini, em reunião de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho – TRT, de São Paulo, determinou reajuste à categoria de 7,8%, referentes a 6,3% referentes ao INPC acumulado de um ano – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, e mais 1,5% de ganho real.
O índice é menor que os 8% oferecidos pelos empresários nas negociações.
Parte do sindicato estava disposta a considerar este reajuste, mas uma ala da entidade, insistiu nos 15% de aumento, reivindicado desde o início pela categoria.
Esta ala, de acordo com os próprios sindicalistas, é formada por “cipeiros”, membros das CIPAs nas garagens, que possuem estabilidade emprego.
Alguns são de oposição e há a informação de que a greve foi promovida por conta de uma espécie de disputa de força dentro do sindicato.
A oposição queria mostrar à categoria que tinha poder de mobilização para realizar uma greve. No segundo dia, por sua vez, foi a vez da situação mostrar que também poderia paralisar a categoria, por isso a continuação da greve.
Oficialmente, no entanto, o Sintetra não admite esta situação.

TRENS E METRÔ

Os trens da CPTM operam normalmente nesta sexta-feira. Ontem, os ferroviários decidiram voltar ao trabalho depois de dois dias de paralisação (quarta-feira parcial e quinta-feira total). Mas a questão não está resolvida ainda. Os funcionários da CPTM pedem 5% de aumento e a Companhia oferece 3,5%. As negociações continuam.
Os metroviários, que pediam 10,79%, aceitaram 8% de reajuste da Companhia do Metropolitano.
Em Mauá, os passageiros encontram dificuldades para chegarem até o trem, já que todos os ônibus
ainda estão nas garagens.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e repórter da Rádio CBN

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