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PARLAMENTO QUER INTEGRAÇÃO DE INTERMUNICIPAIS EM SP

Ônibus intermunicipal em São Caetano do Sul. Parlamento Metropolitano, entidade criada com os representantes das 39 câmaras municipais, tem como prioridade o Bilhete Único Metropolitano e integração das tarifas nas 39 cidades da Grande São Paulo. Ir de um município para o outro não é tarefa fácil e nem das mais baratas pela falta de organização tarifária entre as cidades. Foto: Adamo Bazani

Bilhete Único na Grande São Paulo é prioridade para nova entidade parlamentar
Parlamento da região Metropolitana de São Paulo, que reúne 39 representantes das câmaras municipais da Grande São Paulo, quer integração tarifária de ônibus

ADAMO BAZANI – CBN

A cena é comum no dia a dia de milhares de pessoas nos municípios da Grande São Paulo.. Ao desembarcar de um ônibus intermunicipal e utilizar outra condução, inclusive outro ônibus intermunicipal, o passageiro pe obrigado a desembolsar mais uma tarifa, que não é baixa.
Estudos comprovam que até ¼ da renda do trabalhador, em média, é utilizado com gastos em transportes.
Um número considerado alto pela qualidade dos serviços prestadas em sua maioria e pelo peso nos transportes no orçamento do trabalhador que a cada dia gasta mais recursos com condução.
Apesar de os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo reunirem 20,8 milhões de habitantes e ter um PIB – Produto Interno Bruto de R$ 572 bilhões –, sendo uma das áreas mais desenvolvidas e ricas do País, ainda não há um eficiente sistema de integração de tarifas.
Os empresários de ônibus com pensamento mais antiquado torcem o nariz quando o assunto é integração. Mas, respeitando a viabilidade econômica e não interferindo nas operações, os empresários com pensamento desenvolvido não reclamam das integrações, pois sabem que podem racionalizar as linhas e atrair mais pessoas, em outras palavras, mas lucros para o sistema.
Nesta segunda-feira dia 09 de maio foi criado o Parlamento Metropolitano tendo como bandeira principal a implantação de um Bilhete Único e integração tarifária para os 39 municípios da Grande São Paulo.
A entidade atualmente não tem poder de voto, nem para deliberações ou aprovar leis.
Por enquanto a função é discutir problemas comuns às 39 cidades e permitir que os representantes das câmaras destes municípios façam as consultas sobre a realidade das outras cidades e no que ela interfere na vizinha.
Uma das alternativas para diminuir as diferenças do valor das tarifas de ônibus entre as cidades seria uma forma de alterar a forma de tributação sobre os serviços de transportes públicos, de acordo com os vereadores.
O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto critica o fato de nenhuma autoridade ter se comprometido a isso até agora.
“Nunca vi nenhuma autoridade firmar compromisso neste sentido. Queremos chegar ao senso comum para equiparar as tarifas, como ocorre na Capital” – afirmou o parlamentar da Capital Paulista.
A reivindicação tem razão de ser feita pela população. Para uma pessoa sair do ABC Paulista até Guarulhos terá de pagar um ônibus intermunicipal para a Capital, embarcar no Metrô, muitas vezes sem integração, e também sem nenhum tipo de integração embarcar num outro ônibus intermunicipal até Guarulhos.
Ela pode também do ABC Paulista pegar um ônibus municipal até uma estação local de trens da CPTM, em boa parte dos casos, sem integração embarcar no trem, que se integra com o Metrô e depois pegar um ônibus intermunicipal do Metrô até Guarulhos.
A tarifa mais baixa de São Paulo a Guarulhos é de R$ 2,90, a partir da Penha, Tucuruvi, Itaim Paulista ou Terminal Rodoviário do Tietê e a mais alta é de R$ 33,00, o serviço seletivo da Empresa de Ônibus Pássaro Marron, Airport Service. Tanto o trem como o Metrô têm tarifas de R$ 2,90. De São Paulo ao ABC Paulista, os valores também não são nada baixos. O valor varia de R$ 2,25 (mas esta linha não passa em nenhuma estação do Metrô, só perto da estação de trens de Santo André, mas sem integração) a R$ 6,50 entre Santo André e o Aeroportos de Congonhas.
Um exemplo para quem sai de Santo André para Guarulhos mostra o quanto custa cara ainda andar de ônibus na Grande São Paulo. Usando os meios mais baratos, a pessoa vai primeiro desembolsar R$ 2,90 de um ônibus municipal até a Estação da CPTM de Santo André. Depois tem de pagar mais 2,90 pelo trem. Só para ainda nem sair da cidade, o gasto já foi de R$ 5,80. Na estação do Brás, a pessoa faz integração gratuita com o Metrô da linha 3 Vermelha. De lá, a pessoa pode pegar um ônibus até Guarulhos por R$ 4,05, mas vamos tentar baratear a viagem. Então do Brás a pessoa segue de Metrô até a Penha, por exemplo, de onde pegará um ônibus por mais R$ 2,90.
Depois de quase 2 horas e meia de trajeto, cansaço e em boa parte em pé devido a lotação, o passageiro chega até Guarulhos com R$ 8,70 a menos no bolso. Para voltar são mais (ou na verdade menos) R$ 8,70, o que dá um gasto de R$ 17,40. Um valor esperado para um transporte racional e confortável, o que nem sempre é oferecido à população.
Para pessoas com mobilidade reduzida, gestantes, idosas ou com bagagem, não pode-se esquecer que muitos vão a Guarulhos por causa do Aeroporto, o caminho entre Guarulhos e o ABC pode ser uma via mais dolorosa ainda.
E dizer que quem vai ao Aeroporto usa somente táxi ou carona é deixar de lado a função do transporte coletivo que é atender a população dando acesso aos principais pontos de prestação de serviços de uma região, como o Aeroporto.
Também dizer que aeroporto é coisa de rico é não acompanhar a evolução do setor aéreo, que apresenta tarifas tão atrativas (ou mais) que de muitas linhas rodoviárias. E é contribuir para a segregação cultural que existe há anos ao afirmar que quem passa pelo aeroporto não necessita de transporte público porque ônibus, trem e metrô é coisa de pobre.
Uma que essa imagem precisa mudar e quem usa carro precisa ser atraído pelo sistema de transportes públicos, que para isso, deve ser melhorado em questões de conforto, assiduidade, confiabilidade e segurança.
Outro porque R$ 17,40, ida/volta, entre as duas cidades, isso porque o passageiro andou mais e buscou tarifas mais baratas, não é para qualquer um pagar.
A ligação ABC – Guarulhos é só um exemplo das várias nas 39 cidades da região metropolitana que consomem tempo e dinheiro da população.
Um sistema racional de transportes pode ter até menos linhas, mas que atendam a mais pessoas, de maneira integrada, rápida e com preços menores.
Os vereadores do Parlamento Metropolitano terão muito trabalho se quiserem realmente discutir a integração das tarifas de transporte nas 39 cidades, já que nem todos os operadores são unânimes nesta questão.
O Parlamento Metropolitano também quer ter mais representatividade com poder de voto e interlocução e além da integração das tarifas, têm como metas a aprovação de uma lei complementar que desde 2005 tenta reorganizar a Região Metropolitana e ajustar os planos diretores de cada município.
Adamo Bazani, repórter da rádio CBN e jornalista especializado em transportes.

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