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PORQUE OS CUSTOS DE TRANSPORTES EM SÃO PAULO SÃO TÃO ALTOS

Ampliação de corredores de ônibus poderia diminuir em até 40% os custos dos transportes em São Paulo. A velocidade operacional seria maior, os gastos com combistível e manutenção seriam diminuídos e menos ônibus poderiam atender um número maior de passageiros por não focarem presos no trânsito. Foto: Adamo Bazani.


MARCOS GALESI

Prezados amigos do Blog, a nossa matéria de hoje, vai tentar desvendar o do por que o transporte na cidade de São Paulo tem um custo tão alto???

Baseado no que o poder público diz,….

….”A tarifa de ônibus é definida a partir do custo do sistema. Uma planilha de custos entregue pelas empresas é analisada por técnicos da prefeitura, que apontam quanto custa manter o funcionamento do sistema. A partir daí, a tarifa ideal é calculada, com base no número de passageiros.

A partir do valor da tarifa ideal, a prefeitura calcula quanto será bancado pelo Orçamento municipal. Em 2010, por exemplo, foram gastos R$ 600 milhões de subsídio. Para 2011, estão previstos R$ 743 milhões.

O custo do sistema tem de ser equivalente à soma se tudo o que é arrecado com tarifas com os subsídios pagos pela prefeitura”….. fonte: Jornal Folha de São Paulo.

…” Nas reuniões passadas, foi demonstrado aos membros do movimento que o volume de recursos necessários para custear o sistema de 15.000 ônibus da cidade de São Paulo é da ordem de R$ 5 bilhões. As fontes de recursos são basicamente a tarifa e o Orçamento do Município.

Mostrou-se que se busca o equilíbrio do sistema para que o subsídio, que é um instrumento de justiça social, possa ser mantido e, ao mesmo tempo, possamos ampliar os investimentos no próprio sistema de transporte público sem a necessidade de remanejar recursos de outras áreas prioritárias como Saúde e Educação, já que falamos aqui de verbas orçamentárias.

As ações operacionais já em curso permitirão o aumento da velocidade comercial do sistema, reduzindo, futuramente, os seus custos e diminuindo os tempos médios de viagem. Em outras palavras: mais conforto ao usuário. É importante frisar que grande parte dos usuários não paga o valor cheio da tarifa, por conta do Bilhete Único, que permite até quatro viagens de ônibus em três horas; pelas integrações com outros modos de transporte – Metrô e CPTM, por exemplo – e pelas gratuidades. No modelo atual, a tarifa cobrada representa o acesso ao sistema, permitindo que o usuário faça suas viagens com uma cobrança única. Em média, cada usuário anda 1,63 trecho de ônibus por Bilhete Único, dando uma tarifa média, por viagem percorrida, de R$ 1,85. Inclusive, esse é o valor que deve ser utilizado ao se comparar com tarifas de outras cidades, onde se paga por cada viagem percorrida.

É importante lembrar que, além do usuário comum, 950 mil estudantes pagam metade da passagem; 250 mil portadores de deficiência e 650 mil idosos não pagam nada para utilizar os ônibus da capital. Sem falar nos 1,1 milhão de usuários que têm desconto de 26% concedido pela SPTrans para a integração do sistema municipal com o Metrô e a CPTM. Na integração, a SPTrans cobra R$ 2,22 de um bilhete que custa R$ 4,49 ao usuário. Desta forma, se a Prefeitura optasse por manter a tarifa nos valores de 2010, a compensação tarifária teria que ser próxima de 1 bilhão de reais.

Vale ressaltar que a remuneração dos operadores do sistema (concessionários e permissionários) está baseada em contratos definidos em licitação de 2003, com valores prefixados, e, por isso, dissociada do valor da tarifa de ônibus.

Como explicado anteriormente, em São Paulo o custo do sistema de transporte é de cerca de R$ 5 bilhões anuais. Se a Prefeitura adotasse a tarifa gratuita para todos os 6,1 milhões de usuários, isso significaria que esses R$ 5 bilhões teriam de ser retirados do Orçamento Municipal. Infelizmente, adotar tal política comprometeria os investimentos em todas as outras áreas da administração, como Saúde, Educação e Habitação. Assim, optar por uma tarifa socialmente justa e economicamente viável é uma equação necessária.

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=43160

Com base nestes números e dados, já é possível termos uma idéia de quão caro é o nosso transporte.Sabemos que parte destes custos poderiam cair, se o poder público construísse mais corredores de ônibus. O que contribui para que a tarifa seja cara, são as condições viárias, pois há avenidas em que a infra estrutura é péssima, esburacada na qual diminui a velocidade comercial que deveria ser 14km/h (média) que é o mínimo aceitável, sem contar que o tempo de deslocamento do Bairro/Centro em alguns casos chega a 2 horas (que daria para viajar de São Paulo a Santos 1hora e 20 e ainda sobrariam 40 min. num trajeto de 65 km ou, uma viagem de São Paulo a Taubaté, O ônibus leva de, 2 a 3 horas depende do trânsito em SP e Guarulhos. Taubaté é uma cidade do Vale do Paraiba fica umas duas horas de São Paulo, mais ou menos 123 km.)

Na cidade de São Paulo, em meio ao trânsito caótico, se houvesse a consciência de investirem em corredores de ônibus, os custos cairiam numa média de 20 a 30%, em tempo de deslocamento, e me arrisco a dizer que poderia até diminuir a 40% o custo, pois a manutenção seria mais barata com uma via mais adequada, pois hoje, se tomarmos em base, uma avenida toda esburacada, os custos aumentam cerca de 50% a 60% só em manutenção, porque um ônibus quando passa nestas vias,por exemplo, já aconteceu inclusive de presenciar em uma empresa e ver um ônibus com chassis sendo soldado por conta das condições viárias, os articulados então, muitas vezes fazem uma a duas viagens, e voltam para garagem com a suspensão quebrada, ou em alguns casos, até com a articulação quebrada que conforme o caso, o carro até corre o risco de ser baixado.O poder público precisa se conscientizar que as empresas de ônibus querem investir em ônibus mais modernos e confortáveis, mas diante das condições viárias, se um ônibus tem uma vida útil de 10 anos, ele passa a ter conforme o caso metade desta vida útil, pois por mais manutenção que se faça, chega uma hora que não há mais o que fazer, a não ser baixar este veículo, não adianta investir em ônibus novos sem ter o viário adequado.

A prefeitura diz que tem investido no transporte público, é um grande engano, um prefeito que investe em transporte público investe nem que seja em 2 km de corredores, mas o que vemos, é que nos últimos anos, os maiores investimentos da prefeitura, e também do governo do estado, foram em transporte individual, em detrimento ao coletivo, no caso do governo do estado, só o que foi gasto na ampliação da marginal Tietê, daria para se construir uma linha de metrô, já no caso da prefeitura o que está sendo gasto no projeto Padre Adelino daria para construir um viaduto da Av.Salim Farah Maluf sobre a avenida Celso Garcia o que daria mais fluidez ao trânsito e aumentaria a velocidade comercial dos ônibus, pois um deslocamento do PQ Dom Pedro II até Jd.das Oliveiras há dias que chega a levar umas 3 horas de viagem (principalmente em horário de pico), num trajeto de 29,9 Km na qual o tempo de percurso é de aproximadamente 1h e 20m. em condições normais. Se tivesse corredor, acredito que este tempo cairia praticamente em 30 min.

Uma coisa nós temos a convicção, se o poder público investir sériamente no transporte coletivo, o numero de passageiros pode aumentar e contribuir também para que os custos diminuam, o que o passageiro do transporte individual espera do transporte público, é um ônibus mais confortável, se possível com direito a ar condicionado, pois 80% dos carros, tem este item de conforto a mais, e conforme o caso, a volta dos ônibus executivos, que poderia absorver uma demanda reprimida, e de acordo com pesquisas, há executivos que trocaram seus carros por taxi, porque eles podem trafegar em corredores de ônibus, agora se estes passageiros estivessem em um ônibus executivo, não seriam novos passageiros para o sistema???? As oportunidades para angariar novos passageiros estão aí, precisam ser aproveitados e o mais importante é que o sistema executivo pode tirar muitos carros das ruas.

A cidade de São Paulo necessita que o poder público, seja municipal ou estadual, seja coerente com a população. Investir no transporte público, além de melhorar a qualidade de vida da população, contribui para maior fluidez no trânsito e melhoria da qualidade do ar.

Como disse em um seminário o professor o Consultor Adriano Branco, o grande desafio é tirar 3 milhões de carros das ruas, mas infelizmente enquanto não houver vontade política, as coisas vão de mal a pior.

Marcos Galesi é especialista em trólebus e vice-presidente do Movimento Respira São Paulo

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