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DISTORÇÃO DA HISTÓRIA DOS TRANSPORTES GERA REQUERIMENTO

Ônibus da Viação Guainazes,empresa particular do Consórcio União Santo André, gerenciada pela SATrans, nome criado por Aindan Ravin há 2 anos e não 20, como diz folheto da Prefeitura de Santo André. Foto: Adamo Bazani

Mentira sobre história dos transportes de Santo André gera requerimento a Prefeito Aidan Ravin
Oposição quer saber o real motivo de a atual administração ter distorcido informações sobre a gerenciadora dos transportes da cidade, dizendo que empresa criada há 2 anos pelo Prefeito tem mais de 20 anos

ADAMO BAZANI – CBN

A oposição do prefeito Aidan Ravin, do PTB, não se sentiu nada confortável ao saber que a administração municipal distribuiu panfletos com informações distorcidas sobre a história dos transportes de Santo André.
No material, de papel nobre, é informado que a SATrans, gestora dos transportes da cidade, tem 20 anos de prestação de serviços a população. Mas na verdade, a empresa só tem 2 anos de existência. Ela trata-se apenas da mudança de nome da EPT – Empresa Pública de Transportes – criada em 1989 pelo então Prefeito Celso Daniel, do PT, partido rival do PTB de Aidan Ravin, na cidade.
A EPT foi criada na época da tendência de maior participação do poder público no gerenciamento dos transportes e nas operações, em especial nas administrações petistas.
A Empresa Pública de Transportes era para iniciar como operadora de apenas 35 ônibus em linhas que unissem os dois subdistritos de Santo André, mas, em 1990, com a intervenção na Viação Alpina, assumiu 09 linhas e 109 ônibus.
Na época, as empresas eram contratadas por serviços prestados, na chamada de maneira equivocada municipalização. Equivocada, pois apesar de maior influência do poder municipal e de uma operadora pública, os serviços, ainda eram em sua maioria operados por empresas particulares.
Em 1993, o sistema de remuneração das empresas voltou a ser pelo o que elas arrecadassem nas catracas, e, endividada, em 1997, a EPT foi privatizada. Suas linhas foram assumidas por um Consórcio de empresários que já atuavam no sistema, o Expresso Nova Santo André.
Quando Aidan Ravin assumiu a prefeitura em 2009, depois de uma eleição surpreendente em 2008, ele ordenou a troca da pintura dos ônibus, que tinham detalhes vermelhos, na padronização adotada pelo petista João Avamileno, para a cor azul, com o mesmo desenho, e trocou o nome EPT para SATrans, com custos burocráticos para esta troca se concretizar.
À época, Aidan Ravin justificou a troca para que a cidade se identificasse melhor com as cores de sua bandeira, que têm predominância azul. Mas analistas políticos disseram que o objetivo de Ainda era apagar tudo o que lembrasse o partido rival o PT.
Ao distribuir o folheto dizendo que a STrans tem 20 anos e omitindo a história da EPT e de parte dos transportes da cidade, a administração de Aindan Ravin abre margens para mais críticas e para a suspeita de seu objetivo de tentar esconder o passado político do rival na cidade.
O vereador Tiago Nogueira, do PT, entrou com requerimento na Câmara Municipal de Santo André pedindo explicações sobre o folheto: quanto custou, a tiragem e os responsáveis por sua elaboração.
Donizete Pereira, vereador da situação, disse que o caso poderia ser evitado se caso o folheto informasse SATrans/EPT 20 anos, mas tentou minimizar a questão.

Ouça reportagem de Janete Ogawa, da Rádio ABC, com as palavras de Tiago Nogueira e Donizete Pereira

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Não é de hoje que a história dos transportes coletivos e a padronização das pinturas de ônibus mudam não por critérios técnicos, mas políticos e partidários, com a cor do ônibus tendo as mesmas cores dos símbolos dos partidos.
Um dos casos mais lembrados foi o dos 5 “bonequinhos” na época de Marta Suplicy, que formavam símbolos parecidos com a estrela do PT, partido da então prefeita de São Paulo.
Adamo Bazani, repórter da CBN, jornalista especializado em transportes

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