Ilustração do Monotrilho divulgada pela Secretaria de Planejamento do Amazonas. Nem este Modal e nem o BRT devem ser totalmente concluídos até a Copa de 2013. Os 20 km de monotrilho devem custar R$ 1,43 bi e os 23 km de BRT custarão R$ 256 milhões. Ilustração da Seplan.
Governo de Manaus admite que obras de mobilidade não devem ficar prontas até a Copa do Mundo
Supostas irregularidades são os principais entraves para agência gestora estadual
ADAMO BAZANI – CBN
Obras com intervenções ambientais e urbanas muito profundas, valores altos, dificuldade de financiamentos e suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos, em contratos, licitações e questões ambientais.
Este tem sido até o momento o cenário da maior parte das obras voltadas para a Mobilidade Urbana com vistas à melhoria de estrutura para o Brasil receber em 2014 a Copa do Mundo.
Nenhum dos 47 projetos no setor está no prazo correto.
Alguns governos, no entanto, apesar de a olhos vistos apresentarem dificuldades, atrasos e mudanças repentinas, não admitem que será muito difícil cumprir o que prometeram. É o caso de São Paulo. A cidade com o maior sistema de transportes do País, pelo menos em números e não necessariamente em qualidade, avança muito lentamente com o monotrilho. As linhas mudam de prioridade a medida que a cidade se encontrou na seguinte situação: não está definido de maneira concreta o estádio que vai sediar os jogos.
Inicialmente era o Morumbi. Quando houve contestações por parte da Fifa, federal máxima do futebol mundial, foi escolhido o estádio do Corinthians: o Itaquerão, na Zona Leste da cidade. Mas a pergunta é: Onde está o Itaquerão.
Em vez de continuar as obras de mobilidade que não podem perder tempo, o estado de São Paulo e a Prefeitura vão mudando as prioridades a cada indefinição quanto a estádio.
Primeiro foi o Monotrilho Linha 17 Ouro, que ligaria ao Aeroporto de Congonhas, na zona Sul de São Paulo a Estação do Metrô São Judas, na mesma região. Chamado de Monotrilho do Morumbi, teria 6,9 km de extensão ao custo de R$ 3 bi para os cofres públicos.
Mas com o Itaquerão, o monotrilho da linha 17 Ouro já não recebe a mesma prioridade.
A ordem é avançar então para aa Zona Leste, para onde há um outro projeto de monotrilho: o da Cidade Tiradentes – Vila Prudente. Na verdade, a região era para ser servida por BRT – Bus Rapid Transit, que possui custo de obras e tempo de implantação menores, mas em abril de 2009, o Governo do estado juntamente com a Prefeitura anunciaram o monotrilho para o trecho. A previsão: primeira parte inaugurada em 2010 e todo a obra em 2012. A realidade atual: só algumas pilastras sendo erguidas num ritmo muito lento e nova previsão, 2013. Se sair do papel de forma completa, o monotrilho da Cidade Tiradentes teria 24,5 km de extensão, 17 estações e custarão, se nenhum aditivo for colocado no contrato, cerca de R$ 3 bi.
Outros governos são mais diretos e já admitem que não dará tempo de fazer o que foi planejado.
É o caso do Governo de Manaus.
Em entrevista ao Portal IG, o coordenador da Unidade Gestora de Projetos para a Copa do Mundo (UGP) do estado do Amazonas, Miguel Capobiango, disse que nem o BRT tão pouco o monotrilho previstos para Manaus serão entregues completos até o Mundial.
Os dois projetos de mobilidade para a Capital englobam os seguintes números:
BRT – Bus Rapid Transit: O projeto de Manaus prevê uma ligação de 23 km entre as regiões norte/leste e o centro da cidade. Deve passar pelo setor hoteleiro e formar um anel com o monotrilho. O custo total do projeto é de R$ 256 milhões.
Monotrilho: A linha vai unir o norte ao centro de Manaus, com 9 estações distribuídas em 20,2 km que vão custar aos cofres públicos R$ 1,43 bilhão.
Ao portal, Miguel Capobiango foi claro em dizer que “Parte da mobilidade urbana deve estar funcionando, mas nem tudo estará completo”,
Ele considerou que a população deve sofrer com isso, pela necessidade de intervenções em transportes, não pela Copa e que para o Mundial o que for inaugurado somado a estrutura atual daria para atender a demanda.
FRETADOS COMO ALTERNATIVA:
Já ciente da falta de oferta de meios de transportes mais modernos, como o BRT e o Monotrilho, o Governo de Manaus encontra nos ônibus de fretamento uma alternativa para atender a uma demanda mais exigente. Manaus deve se configurar num dos grandes mercados para o setor.
Pensando nesta alternativa, o Governo deve investir na construção de um grande estacionamento só para ônibus de turismo e fretamento ao lado da Arena Amazônia, sede dos jogos.
Tanto o BRT como o Monotrilho são alvos de suspeitas de irregularidades nos contratos e nos valores das verbas que devem ser aplicadas.
O Ministério Público Federal recomendou a suspensão das verbas federais por conta de tais irregularidades.
Além dessas, no caso do Monotrilho, o Ministério Público identificou falta de detalhamento arquitetônico da obra.
Para tentar tranqüilizar a população, Miguel Capobiango, da Unidade Gestora de Projetos as Copa do Mundo do Estado do Amazonas, afirmou que o BRT e o monotrilho serão concluídos completamente, só que depois da Copa.
Adamo Bazani, repórter da CBN, jornalista especializado em transportes.