Transportadores escolares querem utilizar corredores ônibus na Capital. Proposta gera polêmica pelo fato de os corredores não serem verdadeiramente segregados, em sua maioria, e já não suportarem o número de veículos destinados ao transporte público.
Transportadores escolares querem corredor de ônibus
Sindicato da categoria quer que 10 mil veículos ocupem o espaço dos ônibus urbanos
ADAMO BAZANI – CBN
A Prefeitura de São Paulo deve analisar nesta próxima segunda-feira, dia 11 de abril de 2011, pedido do sindicato que representa os transportadores escolares para que eles possam a circular pelos corredores de ônibus da Capital Paulista.
O objetivo, segundo a categoria, é diminuir o tempo de deslocamento dos estudantes para as instituições de ensino, independentemente do grau, da série dos alunos ou tipo de estabelecimento.
Se aprovada, a medida pode colocar nos já disputados corredores de ônibus mais dez mil veículos, que é a quantidade de ônibus, micro-ônibus, vans e peruas que prestam esse serviço e que estão registrados.
O número é bem maior se for levado em conta que boa parte destes transportadores ão possui cadastro.
Uma parcela significativa do transporte escolar é feita para alunos de classes média e alta que estudam em instituições particulares. Os pais normalmente possuem opções próprias de transporte.
As escolas também defendem a medida e argumentam que, se os transportadores puderem utilizar os corredores de ônibus da cidade, muitos pais devem deixar o carro em casa.
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente do Colégio Dante Alighieri, José Messina, faz os cálculos de quantos carros de pais de alunos da instituição podem deixar de ir para a rua.
“São 1,1 mil pais a menos vindo de carro para cá”
O colégio Dante Alighieri possui uma frota de 42 ônibus próprios.
Com uma das mensalidades mais altas entre as instituições que oferecem cursos de diversos níveis e séries, o Dante Alighuieri é localizado na Alameda Jau, na região de Cerqueira Cesar, uma das áreas mais nobres da Capital Paulista.
Os transportadores escolares afirmam, no entanto, que não será apenas as classes com maior poder aquisitivo que devem ser beneficiadas, melhorando o acesso em escolas das periferias.
O IMPACTO:
Apesar dos argumentos das escolas e dos donos de vans e micro-ônibus, especialistas em transportes garante que tal sugestão deve ser vista com muitas atenção e que requer estudos.
Os corredores de ônibus de São Paulo, na maior parte das vezes, faixas pintadas no viário comum ou estruturas com pouca segregação, estão em boa parte do dia saturados.
A velocidade média operacional em alguns horários não ultrapassa 8 km h.
As filas de ônibus urbanos em corredores são extensas nas proximidades das paradas, por não haver pontos de ultrapassagem. Alguns corredores também recebem um número maior de ônibus que sua capacidade.
Em vários locais, qualquer aumento do numero de veículos, mesmo ônibus urbanos, pode diminuir ainda mais a velocidade operacional.
Especialistas também comparam com os efeitos que ocorreram depois que a circulação de táxis com passageiros foi liberada nos corredores de ônibus.
Além de o veiculo para transporte de massa, no caso o ônibus, perder a exclusividade, o entra e sai de táxis das faixas e dos corredores sempre foi um ponto que é apontado como transtorno para a circulação do transporte coletivo e mesmo para o trânsito normal ao lado do espaço para o corredor.
Isso porque até mesmo os motoristas de carros de passeio na via normal têm de frear para dar espaço ao táxi que repentinamente sai do corredor para se livrar do ônibus que está no ponto.
Se isso ocorrer com o micro-ônibus ou van escolar a situação pode ser pior ainda, pois estes veículos são maiores que os táxis, mais lentos e devem realizar transportes com mais cuidado por levarem crianças.
O engenheiro Sérgio Ejzemberg, da Escola Politécnica da USP – Universidade de São Paulo – defende a priorização do transporte público. Mas para ele, se houver a permissão de uso dos corredores pelos transportadores escolares, o táxi deve sair.
“Se atrapalhar, deveria tirar o táxi e deixar o escolar, beneficiando o transporte coletivo – seja público ou privado – sobre o individual”, afirma.
Enquanto várias representações discutem e querem usar o espaço destinado para o transporte público, cada vez mais carente de prioridade, os ônibus ainda que nos corredores não prestam o serviço que possuem capacidade para oferecer à população, já que estes espaços não são bem planejados, muitos corredores foram feitos apenas para as administrações públicas afirmarem que estão preocupadas com o transporte, mas sem nenhum tipo de priorização de fato e o sistema continua arcaico. Já que não basta apenas construir um corredor sem racionalizar linhas, coordenar horários e distribuir melhor a frota.
Fica a pergunta: vale a pena estrangular ainda mais as vias para ônibus para atender um número baixo de possíveis beneficiários enquanto o problema da maioria, que depende do ônibus, ainda não foi satisfatoriamente resolvido?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.