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Viação Esplanada, uma gloriosa que não teve o fim que merecia

 

Empresa de ônibus, em Santo André, era famosa nos anos de 1970, por sua pintura com faixas brancas e pretas, que renderam aos veículos o apelido de Zebrões

Deu zebra! A expressão no Brasil significa que alguma coisa não deu certo ou contrariou as previsões.

Quando algo não deu certo, logo alguém fala em zebra. E o zebra do campeonato? Um esportista ou time que contrariando as previsões, supera os favoritos e ganha.

Assim ocorreu com a Viação Esplanada, de Santo André, na Grande São Paulo.
A empresa, que tinha uma pintura verde com faixas brancas e pretas, que rendia aos ônibus o apelido de zebrões, pode-se dizer que era uma das favoritas nos transportes da região.

Mas, coincidentemente, acabou dando zebra.

Claro que o fim da empresa não tinha nada a ver com falta de sorte. Mas além de problemas internos administrativos, sua situação final revelou o contexto pelo qual não passava apenas o setor dos transportes, mas toda a economia brasileira.

Os anos de 1980, que marcaram o final das operações da Viação Esplanada, foram assombrados pela inflação altíssima, que descapitalizou passageiros e empresas de ônibus.

Com isso, famílias tradicionais do ramo não suportaram esse baque de baixa na arrecadação e aumento dos custos.

Foi o que ocorreu com os Bataglia, que se desfizeram de várias empresas, como a Viação Alpina, vendida em 1983 para a família Setti & Braga, e algumas deixaram de operar e tiveram as linhas passadas para outros investidores, que foi justamente o caso da Esplanada.

Mas quem via a empresa nos anos de 1970, dava vida longa a ela. Por isso, o apelido Zebra não veio a calhar somente para a pintura dos ônibus.

A Viação Esplanada vem da Andreense, tradicional empresa do ABC Paulista, que era de porte modesto, mas aparentemente bem estruturada.

A Esplanada auxiliou no crescimento de uma das regiões mais adensadas e que mais cresceram do ABC Paulista, a do bairro do Jardim do Estádio, em Santo André.

Entre os anos de 1960 e 1970, houve um novo ciclo de crescimento urbano muito evidente na Grande São Paulo.

Estes ciclos podem ser divididos no ABC Paulista e na Capital Paulista, bem a grosso modo, na seguintes épocas

Final do Século XIX, quando a São Paulo Railway, empresa de capital inglês, construiu a estrada de ferro ligando Santo a Jundiaí

Anos de 1920, quando a área industrial começou a ser ampliada, aumentando também o nível de urbanização:

Anos de 1950, reflexo da política desenvolvimentista, industrial e rodoviarista de Juscelino Kubitscheck, quando a indústria com maior tecnologia aproveitou a estrutura maior já instalada no Sudeste, sendo que o ABC foi a área escolhida pelas montadoras,

Anos de 1970, quando as atividades industriais diversificavam seus ramos e a carência de infra-estrutura e de oportunidades de emprego em outras regiões brasileiras obrigou uma enorme migração para o Estado de São Paulo.

Até esta época, a região do Jardim do Estádio, servida pela Esplanada, tinha um número modesto de moradores e ainda várias vias precisavam ser pavimentadas. Uma das únicas que possuía estrutura melhor para tráfego era a Rua Carijós, uma das principais da região do Jardim do Estádio.

A ligação que a Esplanada fazia com o centro de Santo André até o Parque Dom Pedro, na capital, foi um dos grandes atrativos para novos moradores no Jardim do Estádio.

Em 1975, a frota foi renovada com a compra de monoblocos Mercedes Benz O 362.

Mas os últimos anos da empresa foram amargos. O Diário Oficial do Estado, de 14/04/1978, mostra a determinação do juiz da Comarca de Santo André, Fernando Antônio Ferreira Rodrigues, depois de ação movida pela Fazendo do Estado, que obrigava a Esplanada a penhorar seus bens. O representante legal da empresa era José Roberto Bataglia, que por Cr$ 9.300 teve de vender uma máquina de lavar veículos, Wayne, e uma de engraxar, da marca Bozza.

A Esplanada foi uma das marcas da região.

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