ATENÇÃO CET, SPTRANS E EMTU: Desrespeito no Corredor Diadema – Brooklin está insuportável

 

Certeza da impunidade, fiscalização insuficiente, ausência de radares e muita falta de educação fazem com que corredor perca eficiência e se torne até perigoso.

Carro flagrado em corredor exclusivo de ônibus

O Corredor de Ônibus Diadema (Região Metropolitana de São Paulo) / Brooklin – via Shopping Morumbi (zona Sul da Capital Paulista) foi uma medida louvável para reduzir a viagem entre estes dois pontos. Aliás, algo esperado há muito tempo pela população, há mais de 20 anos. No projeto do Corredor, que começou a ser construído em 1985, este trecho já estava previsto para ser concluído poucos anos depois para receber trólebus. Somente em 31 de julho deste ano, essa necessidade da população foi atendida. E não completamente, já que o Corredor é considerado defasado para os dias atuais e recebe ainda ônibus somente a diesel e um elétrico- híbrido, o Caio Milleniumm II da Metra, ex Auto Viação ABC.

Mesmo assim, consegue diminuir e muito o tempo de percurso, antes feito pelos micro-ônibus, que já não davam conta da demanda, do extinto serviço MetraClass.

O corredor poderia, no entanto, ser melhor ainda para a população, se não fosse a atitude de algumas pessoas, que dentro dos seus carros particulares, que acham que são inatingíveis dentro de suas “máquinas 1.0 ou com cilindrada um pouquinho maior”.

A certeza da impunidade faz com que muitos que são até doutores da lei passem por cima dela.

Aliás, não precisa ser nenhum guru para saber que, onde está escrito – SÓ ÔNIBUS – é somente para ônibus.

No início, algumas invasões ao corredor de ônibus poderiam ser justificadas pela falta de informação e tempo de adaptação, embora que pra se adaptar a não invadir um espaço delimitado, um ser humano inteligente e com bom senso precisa de poucos minutos.

Pois bem, dia 15 de novembro de 2010, feriado da Proclamação da República, segunda-feira, estive a passeio no Shopping Morumbi com a amiga, arquiteta e urbanista Vanessa Fortino.

Não passaram alguns minutos para que este repórter, que ia se encontrar com a amiga e que se utilizou de um confortável e rápido ônibus da Metra, tomasse o primeiro susto.

Desci do ônibus e caminhei até a faixa de pedestre. O sinal deu verde para atravessar rumo ao Shopping.

De trás de outro ônibus (o meu já tinha ido há algum tempo) surge uma pessoa e não um cidadão dirigindo um Corsinha bem no corredor. Ele “saiu da traseira do ônibus” que estava parado no ponto e retornou ao corredor.

Eu estou me reabilitando de cirurgia na coluna, 27 peças colocadas na região lombar. Meus passos ainda não estão ligeiros como deveriam. O carro quase me atingiu, mesmo eu estando na faixa de pedestres.

Normalmente, quando alguém está num corredor exclusivo para ônibus, ao atravessar olha o ônibus e vê em que posição o grandalhão está. Eu acreditava ainda em civilidade e não imaginava que por detrás daquele ônibus viria a surgir uma formiguinha atômica.

Pois bem, logo depois de atravessar vi uma cena inusitada que fiquei me perguntando: Isso aqui é sério mesmo?

Ônibus roda sem porta à esquerda

Um ônibus de Cooperativa, sem portas à esquerda, tendo de abrir demais a curva. Eu achei estranho e fotografei, quando vi a foto na máquina sabe por que o veículo que deveria ter umas 30 pessoas teve de fazer malabarismo? Porque uma SUV, com um único motorista todo confortável “precisava” seguir pelo corredor.

Curti o passeio com esta amiga e nem eram sete da noite, ela me ofereceu uma carona até Diadema.

A situação que presenciei foi lamentável.

Os carros faziam até fila no corredor de ônibus. Isso por quase toda a extensão.

E não é porque era feriado não. De acordo com essa amiga, isso ainda ocorre com freqüência inclusive nos dias úteis.

Como cidadã, sempre respeitando os limites entre o que é destinado para o transporte público e o individual, e também como arquiteta e urbanista, Vanessa ficava revoltada e ao mesmo tempo se lastimava. “Quase todo o dia que passo por aqui é isso”.

Ela e todos os que querem uma mobilidade com qualidade e segurança. Mas a população e o poder público devem fazer sua parte.

Nem precisaria de fiscalização, se houvesse respeito. Mas como não há, CET, SPTrans e EMTU, por favor, mais radares, mais agentes, principalmente perto do shopping Morumbi.

Essa minha amiga esteve há poucas semanas em Los Angeles. Foi fazer um intercâmbio e assistir a apresentações da Shakira (assim como eu, Vanessa é fã da musa colombiana). Ela se admirou. “É só o pedestre colocar os pés na rua, que os carros param. E quem obriga o pedestre a esperar é advertido pelos outros motoristas. Nos cruzamentos, a preferencial é do bom senso e da educação. Os motoristas dão a vez um para o outro como algo natural”- explicou.

Não fico totalmente sem esperança, pois acredito em jovens profissionais da arquitetura e urbanismo, como Vanessa, que pensam e têm capacidade para conceberem na prática, cidades mais acessíveis e democráticas.

Mas podem haver o mobiliário urbano mais moderno do mundo, os projetos de vanguarda que deixam o usuário de ônibus na posição de destaque que merece, equipamentos de acessibilidade moderníssimos, as fiscalizações mais rígidas possíveis, porém, se a mente dos motoristas não evoluir também, tudo isso será pouco perto do que as cidades precisam.

2 comentários em ATENÇÃO CET, SPTRANS E EMTU: Desrespeito no Corredor Diadema – Brooklin está insuportável

  1. Não sei ao certo se o respeito que vi em Los Angeles é educação natural da população ou algo que foi forçado e depois acabou virando esse respeito que chega até ser neurótico. Mas uma vez que a fiscalização nas principais avenidas e as leis de trânsito lá são muito rigorosas no papel e na prática (Já aqui, as leis são lindas e maravilhosas, só não acontecem), acho que a população acabou sendo induzida a ter mais atenção e respeito.

    Culpo mais a falta de fiscalização que o comportamento ou educação das pessoas. Pois nós não somos máquinas, somos seres inconstantes, tem dias que estamos felizes, agitados, tristes, com sono, com pressa, enfim, se no trânsito existir essas “brechas”, um dia vamos tirar proveito dessa situação e no outro criticar a pessoa que se aproveitou disso, isso é normal do ser humano. Mas, se formos ensinados de que colocar o dedo na tomada dá choque, aceitar bala de estranho é perigoso, usar o corredor de ônibus dá multa e é alta, seja através de aviso ou de uma experiência ruim adquirida, acredito que isso não aconteceria ou aprenderíamos a lição.

    Fazemos parte de uma sociedade e dentro dela têm que existir leis, leis que têm que ser aplicadas para que possamos funcionar em harmonia. Ou, o caos que estamos vendo agora pela ausência de fiscalização…

  2. coisas de país de terceiro mundo…
    educação zeroooooooooo
    parabéns Brasil

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